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1983

A Escola Que Virou Fábrica de Estrelas

Por décadas, ser okinawano dentro do próprio Japão significava carregar o rótulo de atrasado, "achinesado", pobre. Nos anos 90, uma escola de Naha inverteu essa equação — e o Japão inteiro passou a dançar no ritmo de Okinawa.

Em 1998, mais de 50 mil pessoas se inscreveram para as audições de uma única escola em Naha, num único ano. Não era uma faculdade de elite nem uma escola militar — era a Okinawa Actors School, uma escola particular de artes cênicas que, em pouco mais de uma década, tinha se tornado a porta de entrada mais cobiçada da indústria do entretenimento japonesa. O Japão que historicamente via Okinawa como província pobre e cultura "menor" — o mesmo Japão que baniu a língua e a hajichi das mulheres okinawanas — passou a consumir, avidamente, tudo que saía de lá.

Namie Amuro se apresentando no palco durante a turnê de 25 anos de carreira, em Okinawa, 2017.
Namie Amuro no palco da "namie amuro 25th ANNIVERSARY LIVE in OKINAWA", 2017 — a artista mais famosa formada pela escola, se apresentando na própria terra natal. Foto liberada oficialmente pela Avex Group (gravadora da artista), licença CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons. Imagem redimensionada para uso neste site.
1983

Uma escola com pedigree de cinema

A Okinawa Actors School abriu as portas em Naha em 1983, fundada por Masayuki Makino — neto de Shōzō Makino, considerado o pai do cinema japonês. A filosofia de ensino era propositalmente diferente do padrão: em vez de coreografia rígida e repetição, o método priorizava expressão livre desde cedo, com alunos de 8 a 20 anos aprendendo a se apresentar apresentando-se de verdade, em público, regularmente. Não era uma escola de técnica pura — era uma escola de personalidade em cena.

Fachada do prédio da Okinawa Actors School, com o letreiro 'Actor's School' no topo.
O prédio da Okinawa Actors School, em Naha, fotografado em 2008. Domínio público, cedido por 沖縄発!役に立たない写真集, via Wikimedia Commons.
1992–1995

O nome que abriu a porta

Em 1992, o grupo Super Monkey's — formado por seis alunas da escola — fez sua estreia. Uma delas, uma adolescente chamada Namie Amuro, se tornaria a artista mais influente do pop japonês de sua geração, comparada a Madonna e Janet Jackson pela imprensa internacional. O single "Try Me ~Believe In Me~", de 1995, foi o estouro que fez o nome "Okinawa Actors School" virar sinônimo de sucesso garantido em todo o Japão — e não apenas um detalhe biográfico de uma cantora.

1995–1997

Um atrás do outro

Depois de Amuro, veio MAX (1995), depois SPEED (1996) — que venderia mais de 20 milhões de discos em menos de quatro anos, tornando-se o grupo feminino mais bem-sucedido da Ásia — e depois DA PUMP (1997), o primeiro grupo masculino da escola a fazer sucesso nacional. Em poucos anos, quase 700 alunos estavam matriculados ao mesmo tempo, e os programas musicais japoneses viviam praticamente lotados de egressos de uma única escola numa ilha que, décadas antes, era tratada como periferia cultural do próprio país.

Hoje

Uma pausa de vinte anos, e uma volta

No início dos anos 2000, o fluxo de novos ídolos desacelerou, e a escola entrou num longo período de inatividade que durou cerca de duas décadas. Em 2023, Anna Makino — ex-integrante do próprio Super Monkey's e filha do fundador — anunciou a reabertura, com o objetivo declarado de tornar Okinawa, de novo, um centro de entretenimento capaz de mirar o mundo, não só o Japão. É uma segunda tentativa da mesma aposta original: transformar aquilo que fazia de Okinawa uma "periferia" — a diferença, o sotaque, o jeito próprio de se expressar — na sua maior vantagem competitiva.

Fontes

Bibliografia

  1. Wikipedia. Okinawa Actors School. en.wikipedia.org
  2. Wikipedia. Namie Amuro. en.wikipedia.org
  3. Wikipedia. Speed (Japanese band). en.wikipedia.org
  4. FRIDAY DIGITAL. Namie Amuro, SPEED, DA PUMP…Okinawa Actors' School in its rebooted heyday. en.friday.news
  5. Daily Yomiuri (via amuro.fr archive). Principal of the Okinawa Actors School / Entrepreneur from the school of free expression.