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Este texto foi gerado por Claude, assistente de inteligência artificial da Anthropic, com base em pesquisas na internet. Não é um relato de um linguista ou de um membro da comunidade okinawana. A bibliografia completa está no fim da página.

うちなーぐち

Uchinaguchi: A Língua que Okinawa Quase Perdeu

Não é um sotaque, nem um dialeto do japonês — é uma língua própria que quase foi apagada, e que dá nome a este espaço.

"Uchinaguchi" (うちなーぐち) significa, literalmente, "a língua de Uchinaa" — e Uchinaa é como os próprios okinawanos chamam a sua terra, muito antes dela virar "Okinawa" em japonês. Não é um sotaque, nem uma variação regional do japonês: é uma língua com gramática, vocabulário e um sistema de honoríficos próprios, tão distinta do japonês padrão quanto o português é do italiano. E, apesar disso, quase deixou de existir. Esta é a história de como isso aconteceu — e de por que este espaço carrega o nome dela.

1879

Um reino apagado do mapa

Até o século 19, Okinawa não era japonesa: era o Reino de Ryukyu, unificado em 1429, com corte própria em Shuri, poesia, música e uma língua que floresceu por séculos como idioma oficial e literário. Em 1879, o Japão anexou o reino de vez. A partir daí, o uchinaguchi passou a ser tratado oficialmente como hōgen — "apenas um dialeto" — e as escolas passaram a desestimular seu uso em favor do japonês padrão de Tóquio.

1908

Atravessando o oceano

Foi bem nesse período de apagamento que milhares de okinawanos deixaram a ilha rumo ao Brasil — entre eles, os passageiros do navio Kasato Maru, em 1908 (a mesma história que contamos no post sobre a canção "Toki wo Koe"). Eles levaram a língua na bagagem, sem saber que, décadas depois, essa versão "exportada" do uchinaguchi sobreviveria, em alguns aspectos, mais protegida do que a que ficou para trás.

Séc. XX

Os cartões de humilhação

Em Okinawa, a pressão só cresceu. Crianças flagradas falando uchinaguchi na escola eram obrigadas a usar as hōgen fuda — "cartões de dialeto" — um método de humilhação pública que durou até bem depois da Segunda Guerra. Durante o conflito, a língua chegou a ser oficialmente proibida. Com a chegada da televisão no pós-guerra, o japonês padrão avançou ainda mais rápido sobre o cotidiano da ilha, e muitos pais passaram a evitar ensinar a língua aos filhos.

2006

O Dia do Shimakutuba

Em março de 2006, Okinawa promulgou a primeira lei do Japão voltada à preservação de uma língua regional, criando o "Dia do Shimakutuba" em 18 de setembro. A data não foi escolhida à toa: é um trocadilho numérico — 9 se lê "ku"; 18 se divide em 10 ("tou") e 8 ("hachi", que vira "ba") — juntando tudo, "9-18" soa como kutuba, palavra que significa "língua". Shimakutuba, "a palavra da terra natal", tornou-se o termo preferido para as línguas de Ryukyu como um todo.

2009

Um alerta da UNESCO

A UNESCO confirmou o que a comunidade já sentia: incluiu o uchinaguchi entre seis línguas de Ryukyu classificadas como ameaçadas de extinção em seu Atlas das Línguas em Perigo do Mundo. Hoje, é falada quase exclusivamente por pessoas mais velhas — e muitos falantes, marcados pelo estigma de décadas, optaram por não repassá-la às gerações seguintes.

Hoje

A língua que ainda une

No Brasil, onde cerca de 10% dos quase 190 mil imigrantes japoneses chegados entre 1908 e 1941 eram de Okinawa, o uchinaguchi sobrevive principalmente em ambiente afetivo e familiar — muitas vezes sem que os mais jovens percebam que aquelas palavras dos avós não são "japonês", mas uchinaguchi. Iniciativas como o Centro de Estudos da Língua Uchinaaguchi, ligado ao Colégio Exatus em São Paulo, tentam formalizar esse ensino antes que se perca de vez.

É esse fio — uma língua quase silenciada, atravessando gerações e um oceano — que dá nome a este espaço. Boa parte do vocabulário que já apareceu por aqui, como ichariba chode, yuimaru e nuchi du takara, não é decoração: é uchinaguchi vivo, palavras que sobreviveram a mais de um século de tentativas de apagamento. Uma língua, como uma vida, só desaparece de verdade quando ninguém mais a leva adiante.

Fontes

Bibliografia

  1. Wikipédia. Língua oquinauana. pt.wikipedia.org
  2. Wikipedia. Okinawan language. en.wikipedia.org
  3. Jornal da USP. Okinawanos e descendentes no Brasil mantêm língua provinciana no afetivo e familiar. jornal.usp.br
  4. Comunicare. Raízes espalhadas: descendentes okinawanos no Brasil preservam cultura quase extinta. portalcomunicare.com.br
  5. Aliança Cultural Brasil-Japão. Dia 18 de setembro é o Dia do Shimakutuba! aliancacultural.org.br
  6. JP Guide. Uchinaaguchi - A Língua Oquinauana. jpguide.co
  7. Nahanavi Magazine. Uchināguchi. naha-navi.or.jp
  8. Portal Intercom. Uchinaaguchi - língua oficial de Okinawa (Shiroma & Uema). portalintercom.org.br